Autocompaixão

A bondade e o amor por si mesmo consistem em deixar de se julgar e de se autocriticar de forma prejudicial. Requer compreender meus pontos frágeis e meus fracassos, em vez de condená-los.

O sofrimento é inerente à condição humana, já dizia Buda. Todos atravessamos momentos desafiadores, enfrentando mares turbulentos de tempos em tempos. Às vezes, a dor é evidente, mas, muitas vezes, ela está disfarçada em meio aos nossos comportamentos de fuga ou resistência. Por isso, reconhecer o momento difícil pelo qual estamos passando é o primeiro passo no cultivo da autocompaixão.

O amor autocompassivo significa consolar-me, apoiar-me ou encorajar-me ativamente, como faria com um amigo que estivesse passando por dificuldades. Significa permitir-me ser emocionalmente tocada diante da minha própria dor e fazer uma pausa para dizer a mim mesma: “A situação é muito difícil. Como posso cuidar de mim e me ajudar neste momento?”

Quando desenvolvo o hábito da compaixão, o sofrimento se transforma em uma oportunidade de experimentar amor e ternura por mim mesma. Não importa quais erros tenham sido cometidos: sempre podemos envolver nosso eu ferido em um abraço terno. Podemos acalmar e confortar nossa própria dor. A prática da autocompaixão nos lembra que cair na espiral da culpa, do julgamento e da autoexigência não nos conduz a um bom lugar.

A autocompaixão consiste em desenvolver a capacidade de dirigir um olhar amoroso para mim mesma e para outras pessoas, especialmente nos momentos de sofrimento ou autocrítica. É um amor maior e incondicional do que a autoestima.

“Cultivar a autocompaixão nos permite florescer e apreciar a beleza e a riqueza da vida, mesmo em tempos difíceis.”
Kristin Neff

Como colocar a autocompaixão em prática?

Traga à mente algo que esteja lhe causando sofrimento ou autocrítica, algo pelo qual você esteja se julgando.

  • O primeiro passo é reconhecer que você está passando por um momento difícil, externa ou internamente. Diga a si mesma: “Este é um momento de sofrimento.” Você pode usar as palavras que forem mais confortáveis para você, como: “Isto está muito difícil…”

O importante é reconhecer e tomar consciência do que você está sentindo.

  • O segundo passo é lembrar-se de nossa humanidade compartilhada e dizer a si mesma: “O sofrimento faz parte da vida” ou “É humano sentir-se mal.”
  • O terceiro passo é colocar as mãos sobre o coração e sentir o calor proporcionado pelo contato. Diga a si mesma: “Escolho ser bondosa comigo neste momento. Desejo oferecer a mim mesma o amor e a compaixão de que preciso.”

Mantendo as mãos sobre o peito, visualize uma luz que surge do seu coração e, pouco a pouco, envolve você. Repita interiormente as quatro frases a seguir:

“Que eu seja feliz,
que eu possa viver em paz,
que eu possa sentir-me em calma,
que eu encontre a luz em mim.”

Convido-te a, sempre que necessário, reservar alguns minutos para reconhecer a dificuldade que estiver atravessando e dedicar a si mesma palavras amorosas. Uma prática tão simples já é capaz de nos oferecer um pouco de acolhimento justamente nos momentos em que mais precisamos dele.

Que essas palavras possam ser úteis sempre que o mar da vida se agitar por aí.

Com carinho,

Monique

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