RAIN: uma prática para acolher emoções desagradáveis com gentileza

Lidar com nosso mundo emocional não é nada fácil em um mundo tão acelerado. Por muito tempo, não fomos incentivados a abrir espaço para nossos sentimentos. Talvez nossa educação tenha priorizado o pensar e o fazer — o que a psicologia profunda chama de funções pensamento e sensação — e, com isso, o sentimento foi sendo esquecido e pouco cultivado.

Percebo que, especialmente para mulheres que precisaram amadurecer cedo, que aprenderam a dar conta de muita coisa sozinhas, a ser fortes e destemidas… abrir espaço para sentir pode parecer adentrar um território estranho. Quando sentimos uma emoção forte ou contrativa (aquelas que normalmente chamamos de “negativas”), tentamos não senti-la, fazemos o que for possível para que ela passe. Fugimos da tristeza, da ansiedade… mas isso faz com que elas se tornem ainda maiores.

Em vez de fugir das nossas emoções, vamos nos deixar “molhar” por elas com a prática de mindfulness RAIN. Um exercício que não leva mais de 3 minutos e que é muito eficaz para acolher e lidar com as emoções. Quando sentir que uma situação está trazendo emoções que são difíceis de acessar ou que já estão transbordando, pare por alguns minutos e permita-se ser “molhada pela chuva”, deixando que ela limpe a sua mente.

RAIN é um acrônimo em inglês que nos conduz por quatro passos simples, mas profundos:

  • R – Reconheça o que está acontecendo neste momento (uma emoção, um pensamento ou uma sensação).
  • A – Aceita isso que você sente, que você pensa… Não lute contra.
  • I – Investigue com curiosidade e gentileza: onde você sente essa emoção no teu corpo? Como está sua mandíbula? Sua respiração…?
  • N – Não se identifique com o que aparece.

Abaixo, explico cada passo com mais detalhes. Se puder, quando for praticar, sugiro que você interrompa o que estiver fazendo, respire profundamente, solte um pouco a tensão do corpo e traga à mente a situação que esteja incomodando no momento.

Praticando RAIN:

1. Reconhecer
Nomeie o que está acontecendo internamente, com honestidade e sem julgamento.
Você pode se perguntar: “O que está acontecendo internamente agora? O que eu estou sentindo?”

Diga para si mesmo, em voz baixa ou mentalmente:
— “Estou com medo.”
— “Sinto vergonha.”
— “Estou sendo muito autocrítica.”
— “Há tristeza aqui.”

Nomeando com clareza, você já está se ajudando na regulação da sua resposta emocional.

2. Aceitar
Depois de reconhecer algum pensamento, emoção ou sensação, vem o passo de aceitar. Podemos descansar na aceitação do que quer que esteja ali, sem precisar resolver, mudar, suprimir ou fazer juízo de valor julgando aquilo como bom ou ruim.

Você pode dizer:
— “Está tudo bem sentir isso agora.”
— “Essa emoção faz parte.”
— “Digo sim a essa emoção que está aqui.”

Aceitar não é se resignar, mas sim respirar com o que está presente.

3. Investigar
O próximo passo é um pouco mais profundo: investigar com curiosidade como isso se apresenta no corpo. Perceba que a investigação não é mental: “porque isso está acontecendo?”, “de onde isso vem?”, ou pior, “quem é o culpado por eu estar me sentindo assim?”. O foco aqui é direcionado para, com carinho e curiosidade, investigar como essa emoção se expressa no seu corpo.

Pergunte-se:
— “Onde essa emoção está no meu corpo?”
— “Como ela aparece? É uma pressão? Um nó? Uma vibração, calor, contração?”

Observe especialmente a região da barriga, do peito, dos ombros e do maxilar — são áreas que costumam guardar muitos conteúdos emocionais. Convido você, inclusive, se quiser, a levar uma mão até a parte do corpo em que está sentindo essa emoção e acolhê-la, colocando a intenção de direcionar a respiração para essa região.

4. Não se identificar
Lembre-se de que pensamento e emoções são apenas nuvens no céu que é você. Você não é esses pensamentos, nem essas emoções… eles estão em você, mas não são você.

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Desejo que essa prática lhe ajude a atravessar momentos difíceis com mais leveza e consciência.

E lembre-se: se você estiver lidando com uma dor mais desafiadora, especialmente ligada a traumas, é importante buscar apoio profissional. Certas emoções, quando acessadas sozinhas, podem ser difíceis de conter. Não hesite em pedir ajuda: isso também é um gesto de amor.

Com carinho,
Monique

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